Zahyra Mattar
Tubarão
De um lado, os dados do governo do estado traduzem que 80% dos professores retornaram ainda nesta sexta-feira às salas de aula. Do outro, na prática, não é bem isso que se observa em muitas escolas, especialmente na região de Tubarão, onde os educadores votaram, nesta semana, pela continuidade da paralisação.
Quantos professores temporários serão necessários para retomar o ano letivo a partir da próxima segunda-feira? Ninguém sabe a resposta ainda. A reunião desta sexta-feira entre o governador Raimundo Colombo, gestores e gerentes regionais, em Lages, tratou de definir, primeiro, a reposição das aulas.
São 53 dias de greve, 39 dias úteis sem aula. Para repor este período, não haverá o recesso escolar deste mês e o ano letivo seguirá até o dia 30 de dezembro. Não haverá aulas aos sábados. Alguns feriados, como o da Proclamação da República, em 15 de novembro, serão considerados dias normais de aula.
Os ACTs serão contratados conforme a necessidade. Para as escolas que não participaram do movimento grevista, o calendário escolar continua o mesmo: recesso de 18 a 29 deste mês e encerramento das aulas no dia 16 de dezembro. Os feriados ficam mantidos.
Ações macrorregionais são formuladas
Em Tubarão, nesta sexta, cerca de 300 professores reuniram-se no salão paroquial do bairro Monte Castelo, para deliberar as próximas ações a serem feitas. Na próxima segunda-feira, regionais enviarão representantes à capital, a fim de acompanhar a votação, ou não, do Projeto de Lei Complementar que reúne a última proposta feita pelo governo do estado à categoria.
“O governo alega que não há mais o que negociar, que não há mais o que oferecer. Discordamos e apresentamos um ofício a fim de retomar as negociações. A secretaria de educação ainda não respondeu ao nosso pedido”, informa a representante da região no Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte), Tânia Fogaça.
A intenção é reforçar o movimento nas cidades que votaram pela continuidade da paralisação nesta semana (são 11 bases) e reorganizar o movimento nas 17 regiões onde o voto foi pela suspensão da greve.
“Na terça-feira à tarde, teremos outra reunião do comando de greve, na capital, onde serão formuladas ações macrorregionais. A greve somente chegará ao fim quando ocorrer nova assembleia geral para deliberar sobre isso. Para a próxima semana, não há nada programado neste sentido”, antecipa Tânia.
Os números
A discordância entre os dados apresentados pela secretaria estadual de educação e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) é sempre evidente. Na região, o governo aponta que 65% dos professores retornou ainda nesta sexta-feira às salas de aula. O Sinte rebate, acredita que não chega a 40%. O problema é que a gerência de educação em Tubarão abrange somente sete cidade: Capivari de Baixo, Gravatal, Jaguaruna, Sangão, Pedras Grandes, Treze de Maio e Tubarão. A base do Sinte é formada por estas cidade, mais as cidades da secretaria de desenvolvimento regional no Vale (Armazém, Braço do Norte, Grão-Pará, Rio Fortuna, Santa Rosa de Lima, São Martinho e São Ludgero) e ainda Orleans.

